Com um erro do passado impactou a criação de um dos maiores sucessos da história da Mattel
Se você cresceu nos anos 80 ou 90, certamente se lembra do grito icônico: "Eu tenho a força!". He-Man não foi apenas um desenho animado; foi um fenômeno cultural que mudou para sempre a indústria de brinquedos e entretenimento. Mas você sabia que o Master of the Universe nasceu de uma sucessão de erros estratégicos, processos judiciais e uma pitada de "inspiração" em outros gigantes da cultura pop?
Hoje, o Barão Nerd mergulha na história de Eternia para revelar como a Mattel transformou uma recusa a George Lucas em um império de bilhões de dólares.
Tudo começou com um "não". Em 1976, um jovem cineasta chamado George Lucas ofereceu à Mattel os direitos para produzir brinquedos de seu novo filme, Star Wars. O CEO da Mattel na época, Ray Wagner, olhou para o projeto e achou que pagar 750 mil dólares por uma licença de um filme de ficção científica desconhecido era um risco muito alto.
O resultado? A Kenner Toys aceitou o desafio, e Star Wars se tornou a linha de brinquedos mais bem-sucedida da história até então. A Mattel, vendo o navio passar, entrou em modo de pânico. Eles precisavam desesperadamente de uma linha de figuras de ação que pudesse competir com Luke Skywalker e Darth Vader.

Aqui entra uma das maiores lendas urbanas do mundo nerd. Muitos acreditam que He-Man foi originalmente planejado para ser uma linha de brinquedos do filme Conan, o Bárbaro (1982), estrelado por Arnold Schwarzenegger, mas que a Mattel teria desistido devido à violência excessiva do longa.

A realidade é um pouco mais complexa. A Mattel de fato assinou um contrato com a Conan Properties International (CPI) em 1981, mas o desenvolvimento de He-Man já estava acontecendo nos bastidores desde 1979, liderado pelo designer Mark Taylor e pelo engenheiro Roger Sweet.

• Primeiros Esboços: 1979 (Mark Taylor cria "Torak", o precursor de He-Man)
• Contrato Conan: Julho de 1981 (Mattel tenta garantir uma licença de bárbaro famosa)
• Lançamento MOTU: Janeiro de 1982 (He-Man chega às lojas antes do filme de Conan)
• Processo Judicial: 1982-1989 (CPI processa a Mattel por plágio e perde)
A CPI processou a Mattel, alegando que He-Man era uma cópia descarada de Conan. No entanto, a justiça deu ganho de causa à Mattel. O motivo? Os advogados provaram que o conceito de um "bárbaro musculoso" era um arquétipo de domínio público, fortemente influenciado pelas pinturas de Frank Frazetta, e que o He-Man tinha elementos de ficção científica (como armas laser e tecnologia) que o diferenciavam do bárbaro da Ciméria.
Nos anos 80, existia uma lei nos EUA que proibia desenhos animados baseados diretamente em brinquedos. Para contornar isso, a Mattel e a Filmation criaram uma série que focava na narrativa e na moral da história. He-Man and the Masters of the Universe estreou em 1983 e foi um divisor de águas: foi a primeira vez que uma animação foi produzida especificamente para impulsionar uma linha de brinquedos já existente.

O sucesso foi astronômico. Se em 1982 as vendas foram de 38 milhões de dólares, em 1986 a marca faturava impressionantes 400 milhões de dólares anuais. He-Man não era apenas um boneco; ele vinha com mini-quadrinhos que expandiam o universo de Eternia, criando uma mitologia rica que prendia a imaginação das crianças.

• O Nome: Roger Sweet apresentou três protótipos para a Mattel: um bárbaro, um soldado espacial e um tanque militar. O bárbaro venceu, e o nome "He-Man" foi escolhido por ser simples e direto.

• Reaproveitamento: O Castelo Grayskull foi originalmente esculpido em espuma por Mark Taylor, e muitos dos moldes de veículos foram reaproveitados de outras linhas da Mattel para economizar custos.

• Moral da História: Os segmentos finais onde He-Man dava conselhos às crianças foram criados para satisfazer os reguladores de TV, que viam o desenho como um "comercial de 22 minutos".

He-Man provou que, com a mistura certa de fantasia, ficção científica e uma estratégia de marketing agressiva, era possível dominar o universo. E você, ainda tem o seu He-Man guardado na gaveta?
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Publicado por: Diego Piacentini
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