Um retorno confuso e sem força de impacto
Em Karatê Kid: Legends, acompanhamos Li Fong (interpretado por Ben Wang), um jovem sino-americano marcado por traumas familiares, que se vê dividido entre dois mundos. Após um incidente que o coloca em conflito com valentões, ele acaba sendo treinado por dois mestres improváveis: o sábio e contido Sr. Han (Jackie Chan) e o lendário Daniel LaRusso (Ralph Macchio), criando uma ponte inédita entre os ensinamentos do kung fu e do karatê tradicional.
A proposta do novo Karatê Kid parecia promissora: unir o universo clássico dos anos 80, estrelado por Ralph Macchio e Pat Morita (o eterno Sr. Miyagi), com a versão moderna popularizada por Jackie Chan em 2010. A cena inicial entrega exatamente isso — um flashback emocionante que resgata Daniel e Miyagi em plena ação nos anos 80, gerando expectativa sobre o quanto o filme se apoiaria na nostalgia para emocionar o público.
Infelizmente, esse aceno nostálgico se limita aos primeiros minutos. O restante da trama caminha de forma genérica, reciclando a fórmula já conhecida: um jovem problemático em busca de propósito através da luta. Embora Li Fong já chegue à história com bagagem emocional e experiência em lutas, o roteiro pouco aproveita essa complexidade.
Jackie Chan faz o básico como Sr. Han, enquanto Ralph Macchio entrega uma versão meio diluída de Daniel LaRusso, com figurino e postura que mais parecem uma fusão preguiçosa entre Daniel e o Sr. Miyagi. A participação de Daniel-san, inclusive, é bem menor do que o marketing indicava, sendo quase irrelevante na trama principal.
As lutas são, em sua maioria, genéricas. Algumas coreografias são visualmente competentes, mas não há peso emocional ou dramaticidade. A única exceção é uma luta de boxe envolvendo o personagem secundário Hector (interpretado por Joshua Jackson), que surpreende pelo ritmo e entrega dramática — algo que falta no restante da produção.
O vilão Conor Day, vivido por Aramis Knight, tenta emular o espírito dos antagonistas da Cobra Kai, mas soa genérico e sem carisma. Sua motivação é rasa e sua ameaça nunca se concretiza de fato.
Outro ponto fraco é o relacionamento amoroso de Mia Lipani (vivida por Sadie Stanley), que parece existir apenas para cumprir uma cartilha de romance juvenil. Sem profundidade, sem conflitos reais, sem química — é um arco que simplesmente está ali, mas não diz a que veio.
A atuação de Michelle Yeoh como a mãe de Li Fong também decepciona. Conhecida por suas performances intensas e marcantes, aqui ela interpreta uma mulher em luto com frieza e pouca expressividade, muito aquém de seu talento reconhecido.
A trilha sonora também falha em criar identidade. O filme poderia ter se apoiado nas músicas icônicas dos anos 80, como You're the Best ou até homenagens a Bill Conti, mas opta por faixas esquecíveis que não contribuem para a atmosfera.
Karatê Kid: Legends é uma oportunidade perdida. Em vez de reviver a franquia com o respeito e a emoção que ela merece — como fez a série Cobra Kai — o longa opta por uma abordagem segura, genérica e desmemoriada. Um projeto que parece ter nascido para lucrar com a nostalgia, mas que entrega pouco além disso. Um filme que, infelizmente, já parece esquecido no momento em que termina.
NOTA DO BARÃO: 6/10
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Publicado por: Diego Piacentini
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